Cartão de crédito: Novas regras

O cartão de crédito passou a contar com novas regras na segunda-feira, dia 3 de abril. A medida foi estabelecida pelo governo federal, com o objetivo de reduzir a inadimplência e evitar o superendividamento. Na prática, o consumidor não ficará preso ao rotativo do cartão. Tal mudança promete trazer alívio a quem pagava somente o valor mínimo da fatura e acabava se endividando ao entrar na bola de neve dos juros – as taxas encerraram 2016 em 484,6% ao ano.

Com a nova regra, toda vez que a pessoa entrar no crédito rotativo, depois de 30 dias o banco oferecerá um parcelamento do saldo devedor ou o cliente poderá fazer o pagamento à vista da fatura, acrescida dos juros – bancos já anunciaram as taxas que serão oferecidas: entre 0,99% e 9,99% ao mês, e, no caso do rotativo, entre 1,92% e 17,25%. Caso o consumidor não escolha nenhuma das alternativas, ficará inadimplente. Antes da nova medida, não havia limite de tempo para uso do rotativo do cartão.

Agora, se a pessoa fizer, por exemplo, uma fatura de R$ 1 mil e pagar apenas R$ 150,00, ela entrará no rotativo apenas por um mês. Assim, a conta, após 30 dias, subirá de R$ 850,00 para R$ 948,72, e o banco será obrigado a oferecer o parcelamento ou o pagamento à vista. “Antes dessas novas regras, se o cliente fizesse uma fatura de R$ 1 mil, mas tivesse apenas R$ 150,00 para pagar, a dívida poderia se tornar impagável. No fim do sexto mês estaria em R$ 1.708,90”, ressaltou o governo, com base em dados do Banco Central.

De acordo com o diretor econômico da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira, o impacto das medidas sobre os juros somente será conhecido nos próximos meses.

“Em primeiro lugar, muitos bancos fixaram taxas bem elásticas, que podem chegar de 1,99% a 10% ao mês, dependendo da instituição financeira e do histórico [capacidade de pagamento] do consumidor. Então, fica difícil saber qual será o efeito efetivo, porque cada consumidor tem uma taxa personalizada, e a gente precisa ver quem não conseguirá pagar a fatura integral”, disse Miguel de Oliveira.

Vale ressaltar que todos os bancos são obrigados a operar conforme as novas regras do governo, que foram fixadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em janeiro, mas entraram em vigor em abril.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *