Corpo de Antônio Carlos Belchior é sepultado em Fortaleza nesta terça-feira (2)

Belchior é um dos maiores nomes da MPB

 

O cantor e compositor Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, mais conhecido apenas como Belchior, morreu na madrugada do último domingo, dia 30 de abril, na cidade de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, devido ao rompimento da artéria aorta, segundo autópsia. Ele tinha 70 anos de idade e viveu seus últimos anos em exílio, afastado do meio musical, da imprensa, de familiares e de seus bens pessoais.

Autor de grandes sucessos aclamados pela crítica, como “Apenas um rapaz latino americano”, “Velha roupa colorida” e “Como nossos pais” – gravados por Elis Regina, uma das maiores intérpretes das composições de Belchior -, o artista foi sepultado no cemitério Parque da Paz, em Fortaleza, no Ceará, na manhã de terça-feira, dia 2 de maio. A esposa do músico, Edna Prometheu, dois filhos, irmãos, entre outros familiares participaram da cerimônia, que também contou com os fãs.

O corpo de Belchior foi velado no Teatro São João, em Sobral (CE), sua cidade natal, conforme era sua vontade, e no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza (CE) – fãs também acompanharam estes momentos. Após a missa de corpo presente, o caixão foi conduzido ao cemitério por oficiais do Corpo de Bombeiros.

A mulher do músico foi quem o encontrou morto, no sofá da sala, onde ficou ouvindo música. De acordo com Edna Prometheu, Belchior não tinha problemas de saúde e nem tomava medicamentos. No entanto, ele não estava muito bem na noite de sábado, dia 29 de abril, quando se queixou de muito frio e dores nas costas.

A morte do músico, considerado um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira (MPB), teve grande repercussão. “Eu não tinha muito contato com o Belchior. Éramos parceiros muito fiéis no começo da carreira, principalmente em Fortaleza, mas nosso contato nos últimos anos foi pouco. Lamento muito porque foi um grande artista. Deixa um legado importantíssimo. Foi um grande poeta. Uma grande referência”, disse o cantor e compositor Fagner, que assim como Belchior, fez parte do grupo de músicos Pessoal do Ceará.

Com mais de 40 anos de carreira e canções sobre o amor, a juventude, liberdade, política, a sociedade, saudades de casa e sobre o medo de avião, Belchior foi um artista de suma importância para a sua geração e as demais que vieram. O álbum Alucinação, de 1976, é considerado o mais revolucionário da história da MPB e um dos mais importantes para a música brasileira.

“Já faz tempo eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida. Na parede da memória, essa lembrança é o quadro que dói mais. Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo, tudo, tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais” – trecho da música “Como nossos pais”, composta por Belchior em 1976.

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