Maiara Domingues

Encontrou no espiritismo uma nova filosofia de vida, de amor, paz, serenidade e entrega ao próximo. Ela escreve reflexões para o dia a dia.

A inabalável certeza de Deus

O jovem acreditava ser uma mente brilhante. Elaborava ideias, imergia o pensamento nos livros buscando maior conhecimento. Orgulhava-se de seu saber.

Certo dia, deparou-se com um filósofo que, extasiado ante o espetáculo ímpar da natureza, expressava sua admiração ao Criador:

Quem é Você que está por trás da cortina das nuvens? Por que silencia a Sua voz e grita através dos fenômenos da natureza?

Por que gosta de se ocultar aos olhos humanos? Deixe-me descobri-lo.

O rapaz, com ar de intelectual, lhe disse:

Você está totalmente equivocado. Deus não existe. Ele é uma invenção do cérebro humano para suportar as limitações da vida. A ciência é o Deus do ser humano.

Sem se perturbar, o filósofo respondeu:

Se você me disser que é um ateu, que não crê em Deus, sua atitude é respeitável. Ela reflete sua opinião e sua convicção pessoal. Agora, dizer que Deus não existe é uma ofensa à inteligência, pois reflete uma afirmação irracional.

Não aja como um menino brincando com a ciência e construindo seu orgulho sobre a areia. Você nunca se indagou quem administra este imenso Universo? O porquê de tanta harmonia?

Sua intelectualidade não lhe diz que todo efeito tem uma causa? E que se esse efeito é grandioso, imensurável deve ser a causa?

Percebeu alguma vez os detalhes das folhas de uma palmeira? A perfeição do ovo? O potencial de uma minúscula semente que traz em si a árvore gigantesca?

Já se perguntou quem deu origem a tantas espécies vegetais e animais? A tanta riqueza que se encontra no seio da terra e na profundeza dos mares?

Guarde a certeza de que você pode duvidar de que Deus existe. Mas Deus não duvida de que você existe.

Muitos filósofos acreditavam em Deus. Não tinham medo de argumentar e discutir a respeito.

Afinal, não sabemos quase nada sobre a caixa de segredos da nossa existência. Milhões de livros são como uma gota no oceano.

Somos, em verdade, uma grande pergunta procurando uma resposta. Ou muitas respostas: Quem somos? Para onde vamos? Por que fomos criados?

A ciência é um produto do homem. Use-a, mas não se deixe contagiar pelo vírus do orgulho.

A sabedoria do ser humano não está no quanto ele sabe. Mas no quanto ele tem consciência de que não sabe. A nobreza de um ser humano está na sua capacidade de reconhecer a sua pequenez.

Silenciou o filósofo. O jovem ficou a pensar. Olhou o sol que brilhava forte, sentiu a brisa leve no rosto, ouviu o farfalhar das folhas que se perdiam pelo chão.

E continuou a pensar…

Deus está em toda parte e está dentro de nós. Quando tomamos de uma fruta e nos extasiamos com a sua cor, a sua textura, o seu sabor, estamos sentindo a Divindade.

Quando contemplamos as nuvens imitando andarilhos pelo céu, e as vemos destilar lágrimas generosas sobre a terra, estamos contemplando o cuidado de Deus com Suas criaturas.

No verde das árvores, no vermelho das rosas, nas cores do arco-íris, Deus se manifesta. No dia abençoado, na noite escura.

No rosto das pessoas que passam, nas sementes que brotam – em tudo Deus está. Permitamo-nos descobri-lo.

 

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 10 do livro O futuro da Humanidade – a saga de Marco Polo, de Augusto Cury, ed. Sextante

Não te entregues

Os amigos a quem devotaste tuas horas te abandonaram?

Aqueles que elegeste para o convívio mais estreito debandaram, quando a brisa de suspeitas infundadas se levantaram contra ti?

Pessoas a quem confidenciaste questões particulares jogaram ao vento as informações, permitindo que os que não vibram contigo as usassem para agressões pessoais?

Ouvidos aos quais segredaste tuas mais íntimas dificuldades transportaram a lábios inconsequentes as minúcias das tuas dores?

Recebeste dos comensais da tua vida as mais duras críticas, esquecidos do quanto juntos já investiram na afeição?

Acreditas que estás só, difamado, em abandono?

Não te permitas a hora da invigilância e não te aconchegues nos braços da tristeza.

Não concedas forças ao mal que te deseja fraco e dominado.

Pensa que a borrasca que te alcança tem por escopo maior testar as tuas resistências morais.

Lembra que é nos combates mais difíceis que se forjam os líderes e se formam os heróis.

Foi na solidão dos meses de prisão que a adolescente Joanna d´Arc teceu os fios da coragem, que lhe permitiram enfrentar o julgamento arbitrário e a condenação injusta.

Tem em mente que todas as más circunstâncias, que te envolvem, te permitem avaliar, com absoluta precisão, os verdadeiros amigos.

Aqueles que, mesmo que cometas erros, prosseguirão contigo. Não para os aplausos da sandice, mas para colaborar no soerguimento moral de que necessitas.

Permanecerão contigo, mesmo que a fortuna te abandone os cofres e os louros do mundo se transportem a outras cabeças.

Lembra, ademais, que, embora o mundo não te faça justiça, o Celeste Amigo sabe das tuas intenções, dos teus acertos e das tentativas de ajustes.

E olha por ti, todos os dias. Mesmo naqueles que se apresentem com as nuvens carregadas ou os ares anunciem tormentas e furacões.

O Celeste Amigo confia na tua força e investe na tua vitória. Recorda-o e evoca-o nas tuas horas mais amargas.

Tudo é passageiro no mundo e os panoramas se modificam, em minutos e até mesmo, segundos.

O que agora é, poderá deixar de ser logo mais. Quem agora comanda, poderá ser substituído de imediato.

Quem pensa estar de pé, pode se descobrir tombado ao solo.

Não esqueças que o Celeste Amigo está vigilante e providencia, atento, o de que careces.

Pode ser uma lição a mais, um apoio, uma trégua.

Pensa nisso, e não permitas que os raios das estrelas que brilham em teus olhos sejam empanados pelas chuvas torrenciais da tua amargura incontida.

Não apagues do teu semblante a serenidade que informa, aos que passam por ti, que a confiança é o teu escudo e o Divino Amigo segue contigo.

Não concedas vitória aos maus, àqueles que te desejam subjugado e vencido.

Nasceste para crescer, renasceste neste mundo para vencer. Sempre.

Serve-te da prece. Revigora-te na leitura dos ditos do Senhor e segue em frente, hoje, amanhã e depois. Sempre.

 

Redação do Momento Espírita

A última corda

Era uma vez um grande violinista chamado Paganini. Alguns diziam que ele era muito estranho, outros, que ele era sobrenatural.

As notas mágicas que saíam de seu violino tinham um som diferente, por isso ninguém queria perder a oportunidade de assistir seu espetáculo.

Numa certa noite, o palco de um auditório repleto de admiradores estava preparado para recebê-lo.

A orquestra entrou e foi aplaudida. O maestro, ovacionado. Mas quando surgiu a figura de Paganini, triunfante, o público delirou.

Nicolo Paganini colocou seu violino no ombro, e o que se assistiu em seguida foi indescritível.

Breves e semibreves, fusas e semifusas, colcheias e semicolcheias, pareciam ter asas e voar com o delicado toque daqueles dedos virtuosos.

De repente, porém, um som estranho interrompe o devaneio da plateia: uma das cordas do violino de Paganini arrebentara.

O maestro parou. A orquestra parou. Mas Paganini não parou.

Olhando para sua partitura ele continuava a tirar sons deliciosos de um violino com problemas.

O maestro e a orquestra, empolgados, voltam a tocar.

Mal o público se acalmou quando, de repente, um outro som perturbador: uma outra corda do violino do virtuose se rompe.

O maestro parou de novo. A orquestra parou de novo. Paganini não parou.

Como se nada tivesse acontecido, ele esqueceu as dificuldades e avançou, tirando sons do impossível.

O maestro e a orquestra, impressionados, voltam a tocar.

Mas o público não poderia imaginar o que aconteceria a seguir: todas as pessoas, pasmas, gritaram: Oohhh!

Uma terceira corda do instrumento de Paganini se quebra.

O maestro para. A orquestra para. A respiração do público para. Mas Paganini… Paganini não para.

Como se fosse um contorcionista musical, ele tira todos os sons da única corda que sobrara daquele violino destruído.

Paganini atinge a glória. Seu nome corre através do tempo.

Ele não é apenas um violinista genial, mas o símbolo do ser humano que continua diante do impossível.

 

Este é o espírito da perseverança, da criatividade e habilidade perante os obstáculos naturais da vida no mundo.

Lembremos desta história todas as vezes que as cordas de nossos instrumentos se romperem.

Afirmemos no íntimo: Eu sei que posso continuar!

Afirmemos para a alma: Não é qualquer adversidade que irá me derrubar, que irá me fazer desistir!

Perceberemos então, com encanto, que muitas vezes nossas mãos calejadas, obrigadas a retirar sons de uma única corda, estão sendo amparadas por mãos invisíveis de misericórdia.

Nunca estamos sozinhos no concerto da vida na Terra.

À maneira de um público empolgado que incentiva o artista, o invisível nos dá forças, nos alimenta o ânimo, e nos aplaude cada vez que nos superamos.

Continuemos… sem medo, sem hesitação.

Toquemos nossa música da alma para o céu azul ou para as estrelas. Contando com as quatro cordas de nossa rabeca, ou apenas com uma delas.

Não deixemos de tocar.

 

Autor desconhecido

Uma pausa para refletir

Você está feliz com os resultados obtidos com seus esforços ultimamente?

Se está, parabéns! Você está no caminho certo. Mas, se considera que algo não está bem, faça uma pausa para refletir.

Afaste-se da busca pela fama e pelo ouro que ficarão sobre o pó da Terra. Jamais olhe para trás ao fechar a porta ao lamentável tumulto da ganância e da ambição.

Seque as lágrimas de seus fracassos e infortúnios, largue o seu pesado fardo e descanse até que seu coração esteja sereno. Fique em paz.

Sua vida terrena, na melhor das hipóteses, é apenas um piscar de olhos entre duas eternidades.

Não tenha medo. Nada neste mundo poderá prejudicá-lo, a não ser você mesmo. Faça o bem e exulte com suas vitórias sobre si mesmo.

Concentre suas energias. Estar em toda parte é não estar em parte alguma. Seja zeloso do seu tempo, pois esse é um grande tesouro.

Reconsidere seus objetivos. Antes de lançar seu coração com grande empenho em qualquer coisa, verifique se são felizes aqueles que possuem o que você deseja.

Ame sua família e conte suas bênçãos. Ponha de lado os sonhos impossíveis e trate de concluir sua tarefa, por mais desagradável que possa ser. Todas as grandes realizações foram alcançadas através do trabalho e da espera.

Seja paciente. A demora nas respostas divinas jamais é negativa. Espere. Persista.

O que você semear, bem ou mal, será o que irá colher. Nunca culpe os outros pela condição em que você se encontra.

Você é o que é exclusivamente em decorrência de suas próprias opções. Aprenda a conviver com a pobreza honesta, se necessário for.

Dedique-se a coisas mais importantes do que transportar ouro para a sua sepultura.

Enfrente os problemas um de cada vez. A ansiedade é a ferrugem da vida. Quando se acrescentam os fardos de amanhã aos de hoje, eles se tornam insuportáveis.

Recorde a exortação do Mestre de Nazaré: Não se preocupe com o dia de amanhã, pois o amanhã trará suas próprias preocupações. É suficiente o mal que cada dia traz em si mesmo.

Evite o muro das lamentações. Dê graças pelas suas derrotas. Você não as teria recebido se não estivesse precisando delas.

Aprenda com os outros. Seja cauteloso. Não sobrecarregue a sua consciência.

Trabalhe todos os dias como se fosse o primeiro, ao mesmo tempo em que trata as vidas em contato com a sua como se todas fossem terminar à meia-noite.

Ame a todos, até mesmo aqueles que o maltratam, pois o ódio é um lixo que não devemos nos permitir. Procure ajudar e confortar os necessitados.

Acima de tudo, lembre-se de que é necessário muito pouco para uma vida feliz.

Confie em Deus e percorra serenamente a sua trilha para a eternidade com lucidez e um sorriso. Quando partir, que todos digam que o seu legado foi um mundo melhor do que aquele que encontrou.

Não programe a sua felicidade dentro dos padrões tradicionais que a ambição estabeleceu e os preconceitos mantêm.

A felicidade verdadeira independe dos valores externos, sempre transitórios, sem maior significado, além daquele que lhe atribuem.

 

Redação do Momento Espírita, com base em pensamentos do livro O maior presente do mundo, de Og Mandino/Buddy Kaye, ed. Record e com transcrição do Evangelho de Mateus, cap. 6, versículo 34

A visita de Jesus

Para aquelas crianças, o Natal era uma data um pouco triste. A casa era pobre e tinha somente alguns itens de cozinha, um sofá antigo, uma televisão.

Elas sabiam que o Natal estava chegando pelos intermináveis anúncios televisivos que convidavam a comprar muitos e muitos brinquedos, presentes maravilhosamente embrulhados, caixas lindíssimas. E havia sempre novidades, que enchiam os olhos.

Além disso, as novelas, os filmes, os desenhos infantis, tudo mencionava o Natal. E havia ceia com muita comida, doces, pães, refrigerantes, sucos.

Tudo aquilo dava água na boca, mas ficava muito distante da realidade deles. O salário do pai cobria as necessidades, nada mais. Nenhum presente sequer poderia ser pensado, sonhado. Nenhum, por menor que fosse.

Havia algo, no entanto, especial, na noite natalina. A mãe, que sempre preparava o prato de cada um, para dividir tudo igualmente, nesse jantar desenhava um coração com a comida.

Ela colocava o arroz no meio do prato e ia separando com os dedos para a borda, até formar um coração vazio no meio.

Então, ela enchia o desenho com uma concha de feijão e se houvesse qualquer coisinha a mais, talvez alguma mistura, colocava bem do ladinho, para não estragar o contorno.

Todos se reuniam em torno da mesa e oravam, repetindo as palavras da mãe: Jesus, que bom que você chegou!

E se recolhiam na Noite Santa, pensando naquele Jesus que nascera em um estábulo, Luz do mundo, Rei da vida.

Mais recentemente, a mãe de família participou de oficinas de costura e culinária.

E a vida da família melhorou. A costura e a culinária começaram a render frutos, quase de imediato. O panorama se alterou.

Então, no último Natal, mesmo sem árvore enfeitada com bolas e velas coloridas, sem embrulhos de presente, algo muito especial aconteceu.

O pai confeccionou uma grande placa e colocou na frente da casa, com os dizeres: Que bom que você chegou!

Na cozinha, uma grande movimentação. Parecia que se cozinhava para um batalhão. E, ante a indagação das crianças, esclareceu a mãe:

Jesus vem para a ceia hoje, meus amores. Seu pai e eu o convidamos, pessoalmente. Ele virá com fome e com sede. Precisamos estar preparados.

Quando caía a noite, foi chegando Jesus, de roupa simples, com barba, sem barba. E as crianças foram descobrindo que Jesus era negro. Era branco. Era homem. Era criança. Era mulher.

E cada um recebia aquele prato com um coração de arroz, cheio de feijão. E sorria. E se deliciava.

Alguns, quando sorriam, diante da refeição quentinha, mostravam a boca com poucos dentes.

Acho que foi por isso que a mãe fez comida que não precisa mastigar tanto. – Pensou a menorzinha.

Faltando pouco para a meia-noite, a família se reuniu para agradecer. A oração se elevou, num coro: Jesus, que bom que você chegou!

E a alegria do verdadeiro Natal iluminou todos os corações. A casa parecia um palácio feito de luz.

Quem tivesse um pouco de sensibilidade para perceber o que acontecia além da matéria, poderia ouvir o cântico celestial se repetindo: Glória a Deus nas alturas. Paz na Terra, boa vontade para com os homens.

 

Redação do Momento Espírita, com base no artigo Que bom que você chegou, de Ana Guimarães, da Revista Cultura Espírita, de dezembro 2016

Otimismo sempre

Você já deve ter se deparado com a ideia figurada do copo com água pela metade e a velha pergunta: O copo está meio cheio ou meio vazio?

As conclusões em torno dessa recorrente metáfora são a respeito de como vemos o mundo, as situações, as ocorrências em nossa vida.

Avaliam muitos que ver o copo meio cheio é muito mais otimista do que vê-lo como meio vazio.

Porém a pergunta é: Vale a pena ser otimista? Ou ainda, o que é ser otimista?

São vários os estudos médicos que trazem indicativos a respeito da vantagem de ser otimista.

Esses apontam uma maior longevidade, melhor qualidade de vida, saúde mais estável.

Se alguns se fazem otimistas por sua própria natureza, por seu posicionamento perante a vida, como se constrói o otimismo naqueles de nós que parecemos sempre ver o copo meio vazio?

Como entender o mundo com otimismo?

Talvez um bom caminho seja começar com o entendimento da existência de Deus.

Um Universo milimetricamente organizado, da intimidade nanométrica de um cromossomo às grandezas infinitas celestiais, não é obra do acaso.

Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. Logo, Deus existe.

Da existência de Deus, chega-se à conclusão de que suas ações, atitudes e essência são de amor.

Como sintetizou João, o Evangelista: Deus é amor.

Fruto do Seu amor são todas as coisas que nos cercam.

O simples fato de termos nascido, o corpo que usufruímos, as condições de vida de que dispomos, tudo isso é o toque e o reflexo do amor de Deus sobre nós.

É verdade que muitas vezes não gostaríamos de ter um corpo mutilado, limitado, adoentado.

Tantas vezes anelamos condições melhores para nossa vida, sejam de caráter econômico, social ou emocional.

Porém, como um Pai amoroso e ciente, Deus nos oferece aquilo de que precisamos, e não aquilo que, muitas vezes, infantilmente, desejamos.

Assim, a doença, as dificuldades, as limitações físicas, são lições que a Providência Divina nos oferta para nossa aprendizagem.

Os embates da vida, a família difícil, os perrengues naturais do cotidiano, são oportunidades de aprendizado que ainda nos cabe completar.

Porque somos Espíritos destinados à perfeição, muito temos a aprender, sendo a vida a escola por excelência.

Assim, tudo que nos acontece deve ser entendido como lição.

Mesmo as consequências de nossas atitudes insensatas, são lições que nos aconselham a não repeti-las para mais não sofrer.

Tudo se encontra sob os auspícios da Divindade.

Como Deus nos ama infinitamente, sempre nos ocorre o que seja melhor para nossa vida.

Lembremos, portanto, que ser otimista é guardar a certeza de que somos filhos de Deus, herdeiros do Universo.

É entender que cada dia Deus provê nossas necessidades, como nos ensinou Jesus.

Finalmente, compreender que esse entendimento, misto de otimismo e gratidão, nos faz melhores, mais felizes, mais plenos e em harmonia perante tudo o que nos cerca.

 

Redação do Momento Espírita

Pela paz do mundo

O papel da mulher é imenso na vida dos povos. Irmã, esposa ou mãe, é a grande consoladora e a carinhosa conselheira.

Ela tem o futuro da Humanidade nas mãos.

Pela maternidade, oferece ao mundo os cidadãos do hoje e do amanhã.

É ela quem supre os quartéis de soldados, oferta os intelectuais para as academias, dá ao mundo os homens extraordinários que realizam as grandes transformações no planeta em que vivemos.

A história no-la mostra, em ocasiões diversas, como a guerreira, ao lado do homem que elege para seu par; ou como a política sagaz que interfere a bem do povo.

Recordamos de nossas heroínas Maria Quitéria, durante a independência do nosso país; da catarinense Anita Garibaldi, que serviu a dois países.

Também a encontramos como a intelectual, a artista, a executiva eficiente.

No entanto, em todos esses papéis, com certeza se sobressai o de mãe. Onde quer que esteja, ela é a doçura transformada em cuidado para com o filho.

Não importa que ele cresça, que seja o ídolo das massas ou aquele que provoca dor nas alheias vidas.

Ela ama sempre. E sofre com as dores que o atormentam.

Por isso, seu papel em prol da paz se faz de tanta importância.

Por isso, elas se unem e gritam paz. Paz para os seus filhos. Paz para todos os homens.

Em outubro de 2016, o Movimento Women Wage Peace, reuniu mulheres palestinas e israelenses numa marcha pela paz, a Jerusalém.

O evento foi notícia televisiva. Centenas de mulheres unidas num mesmo propósito, a paz.

Por que devemos continuar mandando nossos filhos para a guerra? O que será dos nossos filhos e netos se não acabarmos com a guerra?

E seu canto repetia: Do Norte ao Sul, do Oeste ao Leste, ouçam a oração das mães. Tragam a paz… Tragam a paz…

Emocionada, uma mãe se manifestou: Eu gostaria de aproveitar este momento para me congratular com as mulheres desse Movimento.

Quero lhes agradecer por defenderem a paz, ao lado de nossas irmãs palestinas.

Quero lhes agradecer e dizer que no mundo em que vivemos é possível a paz, quando mulheres de integridade e fé se reúnem em defesa de seus filhos.

É minha esperança que vocês continuem a batalhar pela paz de uma forma construtiva.

Obrigada em nome das crianças de Israel.

Obrigada em nome das crianças da Palestina.

E nós dizemos: Obrigado por todas as crianças do mundo.

 

Escreveu alguém, certa vez, que quando a mulher descobrir a sua extraordinária força, o mundo se modificará.

E estamos vendo. Enquanto os homens preparam as armas, as mulheres marcham e gritam pela paz.

Desejam seus filhos em casa, crescendo seguros, indo para a escola.

Desejam as crianças felizes, correndo pelas ruas, perseguindo a bola ou disputando corrida, entre muitas risadas.

Desejam que seus filhos vivam, se tornem homens de bem e abençoem o mundo com sua atuação.

Mulheres pela paz. Mães do mundo. Unamos nosso pensamento aos mesmos anseios.

Afinal, todos desejamos paz e um mundo melhor para as flores do jardim das nossas vidas, que florescem em nossos lares.

 

Redação do Momento Espírita

E a paz chegou

O carro da guerra passou esmagador em desatino, deixando as marcas inapagáveis da desolação e da morte em toda parte.

Uma nuvem de sofrimento cobriu o sol da esperança, enquanto as vozes em desespero misturavam-se ao murmúrio aflitivo das ladainhas.

A aldeia era uma pequena clareira na floresta do mundo ambicioso e temporal.

Os seus moradores nada sabiam da política perversa dos estranhos dominadores dos seus destinos.

A poeira que descia sobre as carnes trêmulas dos vencidos transformava-se em lama ensanguentada.

As crianças esmagadas não tiveram tempo de fugir, nem os seus pais atônitos de poder salvá-las ou salvar-se, e nem mesmo as virgens que se refugiaram no templo o conseguiram.

Somente dominava o crime com o terror que vencia tudo e todos.

Na turbulência alucinada pelo desespero, alguém arrancou a música aprisionada na garganta e suplicou em angústia por socorro e misericórdia:

“Oh! Doce amor dos desgraçados!

Desce a Tua ternura até nós e recolhe as nossas aflições na concha sublime das Tuas luminosas mãos.

Faze suavizar o peso em nossos ombros carregados de injúrias e de humilhação com o bálsamo das doces esperanças da imortalidade.

Toma nossas infinitas aflições e transforma-as em sorrisos como flores de incomparável delicadeza, ornando a terra infeliz onde jazemos semimortos, de forma que se transforme num jardim de bênçãos para o futuro.”

E silenciou, arquejante.

Somente se ouviam entre os gemidos, as onomatopeias da natureza compadecida.

Krishna escutou-a e enfrentou Indra, o invejoso e temerário, que fugiu envergonhado para além das nuvens dos céus, permitindo que flechas de luz descessem sobre a aldeia vencida e triste, vestindo-a de claridade.

A partir daquele momento, todas as dores da Terra foram se transformando em rosais e festões de primavera eterna, a fim de que um rei, que é o maior de todos os reis; um Deus que supera todos os outros deuses, aplacasse a crueldade onde surgisse e uma doce esperança nunca abandonasse aqueles que amam e confiam, deixando de ser desventurados.

O monstro da guerra, surpreendido, tentou fugir, ressurgindo, aqui e ali. Todavia, a partir de então, a aldeia dos corações humanos ficou em harmonia, instalando-se um reino diferente que nunca mais desaparecerá do mundo.

Esse rei triunfante deu a Sua vida por todas as vidas, e o Seu canto de perdão elevou a Humanidade aos cimos anelados, superando reinos e principados, por estender-se para sempre no infinito da imortalidade.

 

Ei-lo novamente cantando o sermão da paz e da renovação da vida, quando parecia estar esquecido!

Ei-lo uma vez mais estendendo as mãos sobre os rostos cansados, lembrando que a dor é escola bendita e que logo adiante passará.

Ei-lo com seu sorriso compreensivo, sem fazer julgamentos, entendendo nossas mazelas, disposto a ajudar, disposto a ouvir, disposto a permanecer aqui junto a nós… até quando for necessário…

 

Redação do Momento Espírita

Vencendo montanhas

Desde o início do século XX, alpinistas do mundo todo sonham em vencer o monte Everest, considerada a montanha mais alta do planeta.

Muitos subiram, mas nem todos conseguiram retornar à base.

Mas… de onde vem esse desejo de vencer montanhas?

A escalada se tornou uma prática humana desde a Antiguidade.

Alguns povos acreditavam que as montanhas fossem a morada de deuses e seres mágicos. Se conseguissem chegar no topo, se encontrariam com eles e poderiam se tornar imortais.

Subir uma montanha significava vencer o invencível, desafiar os deuses.

Contos antigos narram a trajetória de heróis que precisaram vencer montanhas e enfrentar os perigos que elas ocultavam. Ao final da jornada, estavam amadurecidos e transformados.

Quando o Mestre Jesus disse aos Seus discípulos que a fé poderia mover montanhas, não se referia a transgredir as leis da física, mas à possibilidade de vencer aquilo que supomos ser invencível, a começar pelas nossas fraquezas e nossos defeitos.

Diante de um vício que nos domina e perante o qual nos sentimos pequenos e fracos, podemos nos identificar com a imagem de um menino diante de uma montanha de mais de oito mil e oitocentos metros de altura, como o monte Everest.

O que pode alguém tão pequeno contra um monte?

Alguns julgavam ser impossível chegar ao topo e voltar com vida, enquanto outros acreditaram, com todas as suas forças, que seria possível.

Criaram ferramentas e equipamentos para possibilitar uma subida com mais firmeza e segurança.

Ao longo de séculos, lutaram para vencer as montanhas mais altas. Muitos pereceram, muitos desistiram, mas muitos insistiram.

Esses, finalmente, conseguiram chegar ao topo do mundo, mostrando que a escalada é possível, apesar de difícil.

 

Em nossa jornada terrena, dia após dia enfrentamos uma escalada evolutiva. Temos de vencer nossos defeitos, principalmente o egoísmo e o orgulho.

Temos de vencer nossos vícios e, para isso dispomos de uma ferramenta poderosa, talvez a mais poderosa de todas: a fé.

A fé é o sentimento inato, no homem, da sua destinação. É a consciência das prodigiosas faculdades que traz em germe no íntimo, a princípio em estado latente, mas que deve fazer germinar e crescer, através da sua vontade ativa.

Por meio da fé em Deus, em seu amor, em sua justiça e no cultivo das potencialidades de que Ele nos dotou, podemos vencer as montanhas de dificuldades que estão entre nós e a felicidade plena.

Vencer uma montanha não é simplesmente fazê-la sair de nossa frente. É saber como lidar, como superar os desafios que ela apresenta.

Não ter medo de subir. Não temer o que teremos de deixar para trás para alcançar o Alto.

Dedicarmo-nos, diariamente, ao esforço de vencer o que nos atrasa a vida e nos faz infelizes, é uma jornada de autotransformação, da mesma forma que uma escalada exige esforço e dedicação do montanhista.

Diante de um obstáculo a ser transposto, tenhamos a certeza de que Deus está conosco. Se nos unirmos, verdadeiramente, em coração e pensamento a Ele, conseguiremos superar tudo o que mais nos retém.

Pensemos nisso.

 

Redação do Momento Espírita

Anjo guardião

Pelos caminhos da vida, um amigo invisível nos acompanha: nosso anjo guardião.

Designado por Deus para acompanhar nossos passos na longa jornada pela Terra, esse Espírito nos aconselha, auxilia e pacifica nos momentos de crise.

Também em nossas vitórias, quando sorrimos felizes, ao nosso lado está o divino emissário, em silenciosa prece de gratidão a Deus.

Devemos pensar nele como um irmão mais velho, um companheiro que nos dedica a amizade mais pura e desinteressada.

Estar em contato com esse bom companheiro é essencial. E podemos fazê-lo pela prece, em momentos de meditação.

Para escutá-lo, é preciso silenciar a mente, acalmar o tumulto interior. Afinal, quem consegue ouvir algo quando tudo em volta é ruído?

Assim, com a mente calma, ouviremos a voz do anjo amigo. Não será uma voz física, mas a voz interna, que ressoa apenas na alma.

Os conselhos desse amigo celeste se farão ouvir pela intuição. É que Deus não quer que o anjo guardião faça o nosso trabalho maior, que é nos tornarmos pessoas melhores.

A nossa tarefa de autoaprimoramento é individual, intransferível. A figura do anjo guardião é um recurso que Deus utiliza para nos dar apoio. Mas a tarefa é nossa.

E isso acontece para que cada um de nós tenha o mérito pelas boas obras e atitudes que pratica. É o nosso livre-arbítrio, nossa liberdade de escolher o bem, o belo e o amor.

Deus deseja a nossa felicidade. Ele nos dotou de força de vontade, inteligência e sensibilidade para que todos nós possamos progredir intelectual e moralmente.

Se outra pessoa tomasse decisões por nós, qual seria o nosso mérito? Dessa forma, também não aprenderíamos as lições que a vida oferece.

O fogo da experiência nos engrandece: traz maturidade, compreensão, paciência.

Na imensa escola que é o mundo, somos estudantes que têm deveres a cumprir, conteúdos a aprender.

Nesta escola, há outros mais adiantados, que ajudam os que estão iniciando. Esses são os anjos guardiães ou Espíritos protetores.

Eles não nos substituem, nem tomam as rédeas de nossa vida. Eles sugerem, aconselham, consolam.

E como fazem isso? Quando falamos com eles? Fazem isso por sugestão mental e pela intuição. Também nos aconselham quando estamos dormindo.

Sim, nessa hora em que estamos libertos do corpo, entramos em contato com o mundo espiritual. E nele vive nosso anjo guardião.

Por isso os Espíritos protetores são sempre mais adiantados. É que precisamos de sua sabedoria para nos orientar.

São sábios, pois somente um sábio poderia respeitar o livre-arbítrio quando seu protegido faz enormes tolices e sofre por causa delas.

É esse Espírito protetor que nos ouve nas horas calmas, quando aparentemente falamos para as paredes; quando lamentamos as oportunidades perdidas; quando admitimos a nossa imperfeição.

Há coisas que falamos apenas para nós mesmos. Mas Deus as ouve. E determina ao Espírito amigo que também as escute.

Nessas horas, quando a solidão nos alcança, a tristeza desaba sobre nossas cabeças e o desânimo se faz presente, o anjo de guarda nos abraça.

Enlaça a nossa alma cansada, embala o nosso sono. Suas lágrimas regam nossa estrada, seus sorrisos iluminam nossos dias. Porque a missão dessa alma generosa é seguir conosco e nos amar.

 

Redação do Momento Espírita

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