Maiara Domingues

Encontrou no espiritismo uma nova filosofia de vida, de amor, paz, serenidade e entrega ao próximo. Ela escreve reflexões para o dia a dia.

Você é capaz

Conta-se que, numa tarde nublada e fria, duas crianças patinavam, sem preocupação, sobre um lago congelado.

De repente, o gelo se quebrou e uma das crianças caiu na água.

A outra, vendo que seu amiguinho se afogava debaixo da camada de gelo, pegou uma pedra e começou a golpear com todas as suas forças, até que conseguiu quebrá-la e salvá-lo.

Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino:

Como você fez isso? É impossível que você tenha quebrado o gelo com essa pedra e suas mãos tão pequenas!

Naquele instante, apareceu um ancião e disse:

Eu sei como ele conseguiu.

Todos perguntaram: Como?

E o ancião respondeu:

Não havia ninguém por perto para lhe dizer que não conseguiria fazê-lo!

É bem possível que você já tenha desistido de algum projeto, ou deixado de tentar, porque havia alguém ao seu lado para dizer que você não seria capaz.

É bem provável que, em algum momento, você tenha fraquejado diante de um empreendimento porque alguém demonstrou falta de confiança em seu potencial de realização.

Muitos de nós somos demasiadamente influenciáveis pelos que nos rodeiam.

O que devemos levar em conta, nesse contexto, é que nem todas as pessoas têm a mesma disposição e a mesma visão das situações. O que para uma parece impossível, para outra é de fácil concretização.

Existem, também, pessoas extremamente pessimistas, que enxergam barreiras em tudo. E outras são exageradamente entusiastas, e até um tanto inconsequentes.

Assim sendo, é importante que cada um saiba avaliar seu próprio potencial e se disponha a realizar o melhor para sua vida.

 

Quantas vezes você pensou em desistir, em deixar de lado ideais e sonhos…

Quantas vezes bateu em retirada, com o coração amargurado pela injustiça…

Quantas vezes sentiu o peso da responsabilidade, sem ter com quem dividir…

Quantas vezes sentiu solidão, mesmo tendo pessoas à volta…

Quantas vezes falou, sem ser notado…

Quantas vezes lutou por uma causa perdida…

Quantas vezes voltou para casa com a sensação de derrota…

Quantas vezes as lágrimas teimaram em cair, justamente quando precisava parecer forte…

Quantas vezes pediu a Deus um pouco mais de força, um pouco mais de luz…

A resposta sempre acaba vindo, seja lá como for: um sorriso, um olhar de aprovação, um cartão, um bilhete, um gesto de gratidão, de amor…

E você insiste!

Insiste em prosseguir. Em acreditar mais uma vez, em transformar, em dividir, em estar, em ser…

E você sabe por que insiste em continuar?

Porque sabe que tem uma missão a cumprir.

Por essas e outras razões, tenha sempre em mente que você é capaz, senão Deus não teria lhe confiado essa missão que só você é capaz de realizar.

 

Redação do Momento Espírita

Modelos

Que modelos temos apresentado aos nossos filhos para que eles possam seguir? Às vezes, buscamos modelos de longe, nomes expressivos que tenham realizado grandes benefícios para a Humanidade.

Se são autênticos, naturalmente falam à alma do jovem, que é idealista por natureza. Contudo, existem, por vezes, criaturas bem próximas a nós, que não valorizamos devidamente.

Avós, parentes, amigos que traduziram sua vida em legado de paz, que sacrificaram tudo por seus ideais, que exerceram suas atividades para além do dever.

Lemos, certa feita, acerca de um prisioneiro político romeno que somente aos setenta e seis anos, graças à queda do regime, pôde visitar seus filhos e conhecer seus netos.

Um homem de setenta e seis anos, de profundos olhos azuis que, apesar de toda a dureza e maus-tratos sofridos na prisão, manteve seu entusiasmo pela vida, na certeza de que tudo valera a pena.

Mesmo o sacrifício da família, do prestígio, do poder que gozava. Contemplando o mar, nas areias das praias americanas, comendo batatas fritas e aprendendo com os netos a atirar um disco de plástico, exclamava:

Que belo sonho. Que maravilha. A vida vale a pena ser vivida em toda sua plenitude.

Um de seus netos, alguns dias depois, precisou escrever uma redação para a escola. Durante várias horas ele trabalhou duro, sobre as folhas de papel. Quando terminou, leu em voz alta, para sua mãe emocionada:

Conheci um verdadeiro herói. O pai de minha mãe foi parar na cadeia por falar abertamente contra o governo. Depois de seis anos de solitária prisão, ele foi libertado.

Minha mãe, meu tio e minha avó saíram do país. Ele não foi autorizado a ir embora com eles. Sozinho, ficou em seu país amargando a dor da separação e o desrespeito de amigos e parentes que o consideravam um fracassado.

Ouvir falar de meu avô fez com que eu entendesse que lutar por minhas crenças é muito importante para mim.

Na quinta série escrevi à professora uma carta de protesto porque considerei que ela tomara uma decisão injusta em relação a um de meus amigos. Atualmente, sou o representante da turma no Conselho de alunos e estou lutando com firmeza para melhorar nossa escola.

Tenho orgulho de meu avô romeno. Espero em Deus que possa vê-lo outra vez.

O exemplo é nobre e, como percebemos, estabeleceu rumos dignos a outras vidas. Sua lição foi a de que não devemos silenciar nossa voz na defesa dos valores e da verdade. Ao contrário, devemos falar para sermos ouvidos. Senão, como já aprendemos a sentir, sempre haverá uma parte em nós que permanecerá insatisfeita.

Lutar pelos ideais de enobrecimento é ensinamento que não devemos relegar a segundo plano, em se falando de nossos filhos, nossos tesouros e responsabilidade maior.

Aproveitemos todas as lições com que a vida nos honra as horas. Estejamos atentos, tendo olhos de ver e ouvidos de ouvir.

Os exemplos passam ao nosso lado e suas experiências são lições significativas que não podemos ignorar.

 

Redação do Momento Espírita, com base no artigo O que os heróis nos ensinam, da Revista Seleções Reader’s Digest, de fevereiro de 1998

Liberdade para ser feliz

No mundo em que vivemos, observamos situações repetidas, que acontecem motivadas pelo nosso orgulho e egoísmo, quando sobrepomos a satisfação dos nossos desejos aos dos familiares, especialmente dos nossos filhos.

Por vezes, isso acontece por não dialogarmos com clareza, ou por não aceitarmos os seus sonhos.

Recordamos daquele pai bem sucedido na vida, que alcançara o pleno sucesso que para si idealizara.

Quando seu jovem filho foi convidado, por um dos seus professores, a estagiar em seu escritório, por lhe reconhecer a capacidade e desejar que a desenvolvesse, ele não permitiu.

Mostrou-se indignado, dizendo que quem pode ser patrão não precisa ser empregado.

Sem se dar conta do olhar desolado do rapaz, o levou para sua empresa, deu-lhe um computador e o manteve ao seu lado.

Orgulhoso, a todos o apresentava como seu sucessor, sequer se dando conta da insatisfação do filho e da sua quase nula atividade.

O jovem alimentava outros sonhos. Sentia-se ansioso para voar com suas próprias asas e em outros céus.

Finalmente, concluída a Faculdade de Direito, ele disse ao pai que resolvera trabalhar na área escolhida, criando seu próprio espaço.

Para o pai, foi um grande golpe que precisou administrar a duras penas. Um dissabor que poderia ter sido evitado com um pouco mais de compreensão, diálogo, buscando o entendimento de que cada um tem seus próprios sonhos.

Bom seria se percebêssemos que somos todos seres livres e independentes, que trazemos nossas tendências e preferências.

Que embora vivamos neste mundo consumista, devemos estar atentos aos nossos e aos sonhos alheios.

Ninguém será feliz fazendo o que é obrigado a fazer, mas sim, trabalhando no que o deixa realizado, opção que deve ser analisada, avaliada e aceita, especialmente pelos pais, para que não venhamos a interferir em decisões importantes que dizem respeito à vida dos filhos.

Interferências que criarão infelicidade e até afastamento.

Somos todos Espíritos imortais em evolução, comandados por uma vontade própria e individual que nos leva a caminhar de acordo com as nossas possibilidades e tendências.

Possuímos, todos, a capacidade de aprender com nossos esforços e méritos.

Estamos na condição de filhos e pais passageiros, enquanto neste planeta.

Não nos encontramos sobre a Terra a passeio, nem tampouco para impormos gostos e desejos uns aos outros.

A vida nos é dada para o progresso, para o desenvolvimento das nossas potencialidades. E uma das oportunidades de crescimento é a profissão.

Dessa forma, preparemos nossos filhos para serem úteis, éticos, honestos, respeitadores, fiéis. Mas, permitamos que se dediquem àquilo que os dignifica e lhes dá prazer.

Para isso, deixemos que exerçam a profissão que elegeram para si e, felizes, vejamo-los crescer, produzir, serem felizes.

Por fim, confiemos no Pai Celestial, para o qual, todos somos filhos muito especiais.

 

Redação do Momento Espírita

Agir ou reagir?

Vez ou outra ela nos alcança. É a violência que existe nas almas e se exterioriza em palavras e ações grosseiras.

Por vezes, a impressão que temos é que a grande maioria dos seres anda armada contra seu semelhante.

São funcionários em estabelecimentos comerciais ou serviços públicos que parecem abarrotados de tarefas e, por isso mesmo, estressados.

Basta que peçamos algo a mais e pronto: lá vem uma resposta grosseira, que soa como um desabafo.

Às vezes, o que diz o funcionário não é verdadeiramente grosseiro, mas o tom de voz ou a inflexão que imprime aos seus vocábulos, agride.

São clientes que aguardam o atendimento nota dez e reclamam por não ser como desejavam.

Assim, em consultórios, é bastante comum ouvirmos reclamações acerca do atraso do profissional.

O telefone tem se tornado uma arma violenta, na boca de muitos. Através dele, as criaturas se permitem gritar, esbravejar e dizer palavras que, normalmente, face a face, corariam de vergonha em utilizar.

Pelas mídias sociais, a violência se mostra, diariamente, nos comentários amargos, críticas terríveis, como se todos tivéssemos sido eleitos juízes do comportamento alheio.

Por tudo isso é deveras importante que principiemos a nos exercitar para agir nas mais intrincadas situações, a fim de evitar cedermos à onda de agressividade e má educação, que parece levar de roldão a quase todos.

Usar expressões mágicas como: Por favor, Seria possível, Poderia me fazer a gentileza, Com licença, funcionam muito bem.

Contudo, nos prepararmos para desarmar quem agride, é imprescindível, mesmo para evitar sermos envolvidos em situações constrangedoras.

Ante um funcionário que reclama do que lhe é solicitado, podemos demonstrar solidariedade, com frases como: Você deve estar tendo um dia difícil! ou Este trabalho é desgastante, não é mesmo?

Perante o cliente aborrecido pela mercadoria não recebida, no prazo estipulado, ou pelo horário não respeitado, nos mostrarmos dispostos a ajudar, verificar as razões da demora e informar com paciência.

Temos, de um modo geral, medo de pedir desculpas, pois acreditamos que isso significa estar assumindo um erro, que nem sempre é nosso.

Entretanto, desculpar-se significa tomar ciência da frustração do cliente e atender a sua reclamação.

Em todo momento, buscar soluções é melhor do que perdermos tempo com discussões e resolve os problemas, antes que mais se agravem.

Promover a paz nem sempre significa sentar-se à mesa internacional das negociações para decidir sobre a extinção de minas terrestres ou de armas nucleares.

Mas, com certeza, quer dizer desarmar-se, amar-se e amar o próximo, propondo e dispondo-se à calma, à sensatez e ao entendimento.

Um sábio, andando pelas terras do Oriente, cantou versos de paz, dizendo Bem-aventurados os mansos e pacíficos porque serão chamados filhos de Deus.

Isso nos estimula a sermos amáveis, gentis com o próximo e promovermos a paz. Porque ser pacífico é ser amigo da paz.

Dessa forma, realizemos o imprescindível investimento em prol da nossa paz interior, que se estenderá ao nosso redor, beneficiando quem conosco conviva, trabalhe ou simplesmente cruze nossos caminhos.

 

Redação do Momento Espírita

Os primeiros lugares

Contou-nos uma pessoa, que foi trabalhar algum tempo num país europeu e que várias vezes identificou marcantes diferenças entre as atitudes deles e as nossas.

A forma de resolver problemas, a maneira de conduzir-se perante determinadas dificuldades no ambiente de trabalho etc.

Nas suas observações, percebeu que tinham alguns comportamentos muito próprios e incomuns entre nós.

Em verdade, ela jamais imaginara que com eles aprenderia uma extraordinária lição. Algo que a faria admirá-los e seguir-lhes o exemplo.

No seu primeiro dia de trabalho, um colega da empresa a veio apanhar em casa e eles seguiram, juntos, no carro dele.

Ao chegarem, ele entrou no estacionamento, uma área ampla para mais de duzentos carros.

Como haviam chegado cedo, poucos veículos estavam estacionados, entretanto, o rapaz deixou o seu carro parado logo na entrada, próximo ao portão.

Assim, ambos tiveram que caminhar um trecho considerável, até chegarem efetivamente à porta da empresa.

No segundo dia, o fato se repetiu. Eles tornaram a chegar cedo e, novamente, o carro foi deixado próximo da entrada do estacionamento.

Outra vez tiveram que atravessar todo o extenso pátio até chegarem ao escritório.

No terceiro dia, bastante intrigada, ela não se conteve e perguntou ao colega:

Por que você deixa o carro tão distante, quando há tantas vagas disponíveis? Por que não escolhe uma vaga mais próxima do acesso ao nosso local de trabalho?

A resposta foi franca e rápida:

O motivo é muito simples. Nós chegamos cedo e temos tempo para andar, sem perigo de nos atrasarmos. Alguns dos nossos colegas chegam quase em cima da hora e se tiverem que andar um trecho longo, correm o risco de se atrasarem.

Assim, é bom que encontrem vagas bem mais próximas, ganhando tempo.

O gesto pode ser qualificado de companheirismo, coleguismo. Não importa. O que tem verdadeira importância é a consciência de colaboração.

Ela recordou que, algumas vezes, em estacionamentos, no Brasil, vira vagas para deficientes sendo utilizadas por pessoas não deficientes.

Só por serem mais próximas, ou mais cômodas.

Recordou dos bancos reservados a idosos, gestantes em nossos transportes coletivos e utilizados por jovens e crianças, sem preocupação alguma.

Lembrou de poltronas de teatros e outros locais de espetáculos tomadas quase de assalto, pelos mais ágeis, em detrimento de pessoas com certas dificuldades de locomoção.

Pensou em tantas coisas. Reflexionou. Ponderou…

E nós? Como agimos em nossas andanças pelas vias do mundo? Somos dos que buscamos sempre os lugares mais privilegiados, sem pensar nos outros?

Alguma vez pensamos em nos acomodar nas cadeiras do centro do salão, quando vamos a uma conferência, pensando que os que chegarem em cima da hora, ocuparão as pontas, com maior facilidade?

Pensamos, em alguma oportunidade, em ceder a nossa vez no caixa do supermercado a uma mãe com criança ou alguém que expresse a sua necessidade de sair com mais rapidez?

Pensemos nisso. Mesmo porque, há pouco mais de dois milênios, um rei que se fez carpinteiro, ensinou sabiamente:

Quando fordes convidados a um banquete, não vos assenteis nos primeiros lugares…

O ensino vale para cada dia e situação das nossas vidas.

 

Redação do Momento Espírita

O poder da determinação

O garoto era encarregado de chegar mais cedo, todos os dias, e acender o antiquado fogão, a fim de aquecer a sala, antes da chegada da professora e dos colegas.

Era uma escola rural e todos os dias, o menino atendia à sua obrigação.

Certa manhã, quando chegaram a professora e os meninos, a escola estava em chamas. O garoto foi retirado inconsciente do prédio. Mais morto do que vivo.

De sua cama, ele pôde ouvir o médico dizendo para sua mãe que ele não tinha chances de viver. Morrer seria uma bênção para ele, pois o fogo tinha arrasado toda a parte inferior do seu corpo.

Mas o corajoso menino decidiu que iria viver. Tanto lutou que sobreviveu.

Então, outra vez, ele ouviu o mesmo médico dizendo para sua mãe que ele estava condenado a viver como um inválido. Seus membros inferiores estavam inutilizados.

De novo, o garoto tomou uma decisão: ele voltaria a andar, não importa o que custasse.
Infelizmente, da cintura para baixo, ele não tinha controle motor. As suas pernas finas estavam ali penduradas, inúteis.

Quando recebeu alta do hospital, sua mãe o levou para casa. Todos os dias, ela massageava as suas pernas. Mas ele não sentia nada.

Nem sensação, nem controle, nada. Contudo, não desistia. Ele queria voltar a andar.

Certo dia, a mãe o colocou na cadeira de rodas, e o levou para o quintal, para tomar sol.
Ele ficou ali, olhando a cerca, a poucos metros. Então, se jogou no chão e se arrastou pela grama, até a cerca.

Com um esforço imenso, agarrou-se a ela, se levantou e começou a se arrastar, estaca após estaca.

Estava decidido a andar. Fez isso em todos os outros dias, até ter aplainado um caminho, em volta do quintal, junto à cerca.

Ele queria andar. E andaria. Ele daria vida outra vez àquelas pernas.

Por fim, depois de massagens diárias e muita determinação, ele conseguiu a habilidade de ficar de pé, dar uns passos, embora vacilantes.

Finalmente, caminhar. Ele começou andando até a escola. Logo, decidiu que chegaria correndo. Pelo simples prazer de correr.

Muitos anos depois, na faculdade, ele entrou para a equipe de atletismo.

Mais tarde, esse jovem que ninguém esperava que sobrevivesse, que diziam jamais voltaria a andar, muito menos correr, bateu o recorde mundial de velocidade em uma corrida de uma milha, no Madison Square Garden. Seu nome: Doutor Glenn Cunningham.

Determinação tem a ver com vontade. E vontade acionada é certeza de objetivo alcançado.
Para isso, no entanto, se fazem necessários alguns fatores como o real desejo de querer, a persistência na execução do programa que seja estabelecido e o objetivo a alcançar.

Dessa forma, se temos um objetivo nobre, persigamo-lo sem cansaço, guardando a certeza de que haveremos de atingi-lo, em algum momento.

Importante: esqueçamos frases como não posso. Ou não tenho grande força de vontade quanto gostaria.

Trata-se de querer, trabalhar pela conquista, perseverando até o fim.

Redação do Momento Espírita

Renascendo das cinzas

O termo resiliência se deslocou do mundo da física para o comportamental. Em princípio, traduz a capacidade de um corpo se deformar por conta de agentes externos e, em seguida, se recuperar.

No campo comportamental, o papel da resiliência corresponde à capacidade humana de enfrentar, vencer e sair fortalecido de situações adversas.

Ser resiliente é um processo que se ativa dentro de nós de acordo com as necessidades impostas pelas dificuldades da vida.

Todos dispomos dessa ferramenta e ela se fortalece através das características pessoais de cada um.

Tais características determinam nossa maneira de enxergarmos uma situação penosa, bem como a forma pela qual reagimos diante dela.

Uma jovem que se tornou viúva na reta final de sua gravidez, escreveu:

Um homem tem uma morte súbita dois meses antes do nascimento do seu único filho. Assim nasce esse blog, tentando entender e explicar dois sentimentos opostos e simultâneos vividos pela viúva e mãe, que, no caso, sou eu. Uma pressa em falar para Francisco sobre seu pai, sobre o mundo e sobre mim mesma.

Para conseguir lidar simultaneamente com duas emoções tão fortes e contrárias – de um lado o luto e, de outro, as alegrias da maternidade, ela criou o blog, a fim de contar ao filho as histórias dela e do pai.

Eu não queria deixar de viver o luto porque tinha acabado de me tornar mãe. E não queria deixar de ficar feliz por ter acabado de me despedir do meu amor, conta ela.

Mais tarde, as histórias se transformaram em um livro, intitulado Para Francisco.

Resiliência.

Cada dia é uma nova oportunidade diante dos sonhos a serem realizados, dos objetivos a serem alcançados, dos limites a serem superados.

Os desafios são inúmeros, é verdade. As dores, por vezes, enormes, parecendo quase insuportáveis. As lágrimas, incontáveis.

Todavia, o sofrimento é responsável por nos fazer descobrir quem realmente somos, distanciando-nos das ilusões que possuímos acerca de nós mesmos.

Quando nos julgamos pobres, o desafio das minguadas condições materiais nos ensina que o pouco é sempre mais do que suficiente.

Quando reclamamos de nossa família, imperfeita e desarmoniosa, as lágrimas saudosas do ente querido que retornou para o outro plano da vida nos mostram o quão felizes somos na companhia de nossos familiares.

Quando nos esquecemos dos amigos e, egoístas, nos negamos a estar em sua companhia, a dor da solidão nos recorda de que a mão de Deus nos alcança através do nosso próximo.

A mitologia nos fala de uma ave de penas brilhantes, douradas e vermelho-arroxeadas que, após viver muitos anos, ao se aproximar sua morte, entra em autocombustão, renascendo das próprias cinzas, algum tempo depois.

O que nos falta para renascer, sorrir e sermos felizes?

Podemos, sob a luz da resiliência, transformar as lágrimas ontem derramadas nessa capacidade de enxergar todas as possibilidades do hoje, do amanhã e de nós mesmos.

Pensemos nisso!

 

Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de Cristiana Guerra

Dores que ensinam

O expediente de trabalho terminara e alguns colegas permaneciam, no local, em conversa amena.

Entre um assunto e outro, um deles comentou a respeito da nova colega.

Dizia que a imaginava um tanto esnobe, pretensiosa mesmo. Porém, se surpreendeu por constatar que, ao contrário do seu conceito preestabelecido, ela se mostrara simples, cordial, amável mesmo.

Os demais acrescentaram comentários, no mesmo sentido, até que foram interrompidos por outro colega.

Eu conheço Sílvia, há bastante tempo, comentou, desde quando éramos adolescentes. Ela veio de uma família abastada. Nunca lhe faltou nada. Teve educação primorosa, frequentando os melhores colégios.

Seu pai, muito amoroso, era também um grande professor da universidade local, respeitado, elegante, um verdadeiro fidalgo.

Foi nesse meio que ela cresceu e sempre se mostrou envaidecida, não somente pelos seus recursos financeiros, também pela família estruturada, um pai amável, o nome de família. Enfim, tudo isso lhe constituía fonte de presunção.

Porém, a vida não lhe foi tão tranquila, na sequência dos anos.

Eram três irmãos, sendo ela a caçula e bem mais nova.

Sua irmã, a primogênita, tinha sérios problemas emocionais. Engravidou cedo, e logo se mostrou totalmente incapaz de criar o filho.

Em razão disso Sílvia assumiu o sobrinho, tomando para si todas as responsabilidades naturais da maternidade.

Os anos se passaram. Seu irmão mais velho, antes dos cinquenta anos, sofreu um grave acidente vascular cerebral (AVC), permanecendo em coma por quatro anos.

Sua esposa, vendo a doença que se estendia, ao longo dos meses, o abandonou.

Os pais precisaram montar todo um aparato, uma verdadeira unidade de terapia intensiva, em casa, a fim de atendê-lo. A fortuna foi sendo dilapidada, pelo custear de tão caro tratamento.

Com a morte do filho e da filha, que sucumbiu, vitimada por um câncer, o pai, alquebrado pelas dores, foi definhando até a morte, como quem houvera desistido de viver.

Dessa forma, Sílvia, de uma família abastada e bem estruturada, viu-se só, responsável pela mãe, às portas da velhice, exigindo-lhe cuidados.

Reencontrei-a há pouco, e percebi que daquela jovem vaidosa, nada permaneceu.

Naturalmente conversamos a respeito da vida, dos anos, e disse-lhe o quanto ficava condoído por tantas dores pelas quais ela houvera passado.

Porém, ao invés de lamúrias, ela me disse:

“Agradeço todas as dores que a vida me ofertou. Elas me deixaram feridas, cicatrizes que, aos poucos, vão se curando.

Mas foram elas quem me ensinaram as melhores virtudes que hoje carrego na alma. As dores me ensinaram a paciência para entender que o tempo de Deus é mais sábio que o tempo de nossa ansiedade.

Ensinaram-me humildade, para perceber que tudo na vida é passageiro, e nada nos pertence.

E, finalmente, me ensinaram a fé, para compreender que tudo está nas mãos de Deus. É Ele quem nos guia pelos melhores caminhos”.

Quando concluiu sua narrativa, um silêncio convidando à reflexão se fez entre os colegas.

Uma reflexão que levava a ponderar como a dor ensina, enobrece, dignifica, quando a sabemos receber com resignação.

Em síntese, quando sabemos dela extrair o melhor, ou seja, quando sabemos bem sofrer.

 

Redação do Momento Espírita, baseado em fato.

O boné dourado

Leila saiu bem cedo para caminhar pelas ruas do bairro, como fazia todas as manhãs.

Levava apenas uma garrafa de água, pendurada numa bolsa a tiracolo. Não usava relógio, pulseira, colar, nada que atraísse a cobiça alheia.

Protegia-se do sol com um boné dourado, que a acompanhava há anos.

Naquela manhã, ao passar por uma alameda, viu um rapaz andando nervosamente em sua direção.

Pressentiu que algo aconteceria. Imediatamente, pareceu ouvir uma voz sussurrando: Você não está só. Confie.

A vida havia ensinado àquela senhora muitas coisas, entre elas, o valor da fé.

O rapaz a abordou, numa postura nada amigável. Mesmo assim, ela sorriu e disse bom dia.

Ele mostrou a arma e mandou que ela entregasse tudo de valor que tivesse.

Serena, Leila mostrou que só carregava a bolsa de crochê com a garrafa d´água.

O jovem se irritou. Ela teve uma inspiração. Tirou o boné da cabeça e disse:

Este boné é valioso. Tem o poder de fazer aflorar o bem e o amor dentro das pessoas. Leve-o e use-o sempre. Ele vai iluminar seus pensamentos.

O assaltante, achando que ela estivesse debochando dele, estava a ponto de perder a paciência. Nisso, o barulho do portão de uma casa, que se abriu ruidosamente, o assustou. Ele agarrou o boné e saiu correndo.

Leila voltou para casa e se recolheu em prece. Agradeceu a Deus pela proteção recebida e pediu-lhe que amparasse aquele jovem que trilhava um caminho tão tortuoso.

Passou a orar por ele, diariamente. Pedia para que seus pensamentos fossem aclarados e que ele tivesse força e ajuda para mudar de vida.

Depois do assalto frustrado daquela manhã, Sidney não conseguia parar de pensar na idosa do boné dourado. A princípio, achou que fosse piada, mas percebeu que tudo mudara depois que ele passara a usar o boné.

Começara a ter pensamentos diferentes. Teve vontade de alterar o rumo da própria vida.

Uma noite, passou em frente a uma casa de oração. Entrou e ouviu a explanação de um trecho do Evangelho. Chorou muito. Identificou-se com o que tinha escutado.

Saiu renovado e desejou compartilhar aquilo com alguém. Mas quem?

Lembrou-se da senhora do boné. Na manhã seguinte, voltou àquela alameda na esperança de reencontrá-la.

Viu-a caminhando e foi, trêmulo, em sua direção. Levava o boné na mão.

Leila o reconheceu. O rapaz contou-lhe o que acontecera, pediu perdão e confirmou que o boné era mágico.

A senhora sorriu e revelou que o boné não tinha poder algum, que o poder de transformação sempre estivera nele mesmo. Simplesmente fora ativado pela força da fé.

Disse que orava por ele todos os dias, enviando-lhe pensamentos positivos. Portanto, o que tivera efeito sobre seus pensamentos foram as orações e a sintonia com o bem.

Sidney ficou assombrado com aquela revelação. Alguém fizera preces em sua intenção, acreditara no bem que havia em seu íntimo e o ajudara a desejar se modificar.

Grande poder da bondade, da prece e da vontade de auxiliar a outrem.

 

Redação do Momento Espírita

O papel da mulher

Quando a jovem, junto a amigos que serviam à comunidade carente, chegou à favela pela primeira vez, ficou chocada.

Ela ouvira falar de miséria e fome. Isso ela podia entender. O desemprego, a falta de habilitação profissional, os limites pessoais daquela gente, no seu modo de ver, poderiam somente conduzi-las àquela situação.

Mas o que a deixou estarrecida foi a sujeira de alguns. O corpo acumulava o pó e o suor de muitos dias. As roupas estavam engomadas de tão sujas, não se podendo identificar com certeza as cores. O mau cheiro era insuportável.

Percebendo o desconforto de Adriana, um dos amigos se aproximou, tentando ajudá-la. Ela aproveitou o momento para desabafar:

Esta gente é muito relaxada! Desde cedo aprendi com minha mãe que a gente pode ser pobre, mas também ser limpo.

Armando a abraçou e lhe disse em voz baixa:

Adriana, estes que estão assim tão descuidados não tiveram mães desveladas como as nossas. Não tiveram quem os ensinasse a se manterem limpos.

Mães são seres especiais. Desempenham junto aos filhos a mais nobre das tarefas que possa ser designada aos seres humanos: ensinar o filho a viver.

São elas que, desde o berço, passam aos pequenos as primeiras e preciosas lições de vida.

São elas que lhes protegem o passo e os disciplinam no dever.

São elas que, desde a amamentação, lhes servem com o leite as noções de Deus, da oração e da moral de Jesus.

Com as primeiras palavras, também as primeiras orações ao Pai e Criador.

No suave aconchego do lar elas lançam as sementes nos corações iniciantes na Terra. Cedo ou tarde, as sementes germinarão.

Mesmo que, eventualmente, os filhos se percam pelas ruas tortuosas do mundo, dia haverá em que recordarão as lições recebidas e retornarão ao caminho da retidão.

Então, amiga, considere que estas criaturas não tiveram os cuidados que nos foram dispensados. Nem tampouco, as orientações que recebemos.

É possível que alguns deles nem tenham a verdadeira noção de lar, de uma família estruturada, de mãe atenciosa.

Pense nisso e comecemos nós, a cada dia, a pouco e pouco, irmos lhes ensinando noções de higiene, de organização, de cuidados.

 

Nada que se imprima nos corações infantis perde-se no tempo. A memória guarda e o coração armazena com um sentimento todo especial.

E, de uma forma singular, quando essas crianças se tornarem pais e mães brindarão seus próprios rebentos com as lições da sua infância e os valores colhidos da boca materna.

O que ensinamos aos nossos filhos são sua melhor proteção contra as tentações e o mal que se encontra no mundo.

Com valores bem definidos, eles terão condições de tomar suas próprias decisões em vez de imitar as modas mais recentes ou colegas nem sempre convenientes.

Ajudar nossos filhos a desenvolver valores morais deve fazer parte do nosso roteiro de educação. Isso é tão importante quanto ensiná-los a ler e a atravessar a rua com segurança.

 

Redação do Momento Espírita

Gazeta da Cidade © 2014 | Todos os direitos reservados