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Relações abusivas

Relações abusivas

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Rodrigo Coletty
Psicólogo

5 de julho de 2022

Mais comuns do que costumamos pensar e mais sutis do que possam parecer, relacionamentos abusivos acontecem e muitas vezes podemos nem perceber que estamos em um. Isso porque nem sempre esse abuso é evidente, principalmente no início da relação em que há uma certa magia e encantamento e a pessoa com quem nos relacionamos parece incrível.

E é aí que está a sutileza desse tipo de relação, as violências e abusos não acontecem de uma hora para outra, mas sim são construídos aos poucos de modo que aquele que sofre com essas violações passa a encara-las como normais ou naturais dentro de um relacionamento.

Nesse sentido, a coisa pode começar por um ciúme excessivo com a justificativa de amar demais, um controle sobre ações e atitudes com a justificativa de proteção, ou uma invasão da privacidade, olhando o celular do outro, por exemplo, com a justificativa de que quem ama não tem nada a esconder.

E é aos poucos que esses sinais vão evoluindo, para comportamentos de desqualificação do outro, invalidando sentimentos, como, por exemplo, ao dizer que a angústia que o parceiro está sentindo não é nada, bem como desvalorizando o cônjuge, através de sucessivas críticas, que se tornam cada vez mais pesadas.

Com isso, tende-se a criar uma atmosfera de dependência, em que aquele que sofre com esses abusos passa a acreditar que ninguém mais conseguira ama-lo, além de seu parceiro. Até, por fim, chegar a uma explícita relação de domínio e violência, com chantagens, ameaças e agressões.

Importante notar, que essa última fase, digamos assim, de um relacionamento abusivo, é apenas o extremo de uma relação que já vinha se construindo, repleta de violências e violações. Afinal, quando falamos de violência, não temos apenas a violência física, mas também a violência econômica, através da dependência econômica e controle financeiro que uma pessoa pode exercer sobre  a outra, a  violência psicológica, que acontece através de agressões verbais e críticas constantes que desvalorizam o outro,  violência patrimonial, quando há a quebra e furto de objetos,  bem como a violência social, a qual surge quando uma pessoa  busca afastar a  outra  de certos convívios com amigos e familiares, alegando os mais diversos motivos.

Importante de se lembrar também, que embora esse tipo de relação abusiva aconteça em sua maior parte, partindo do homem, como “abusador” em relação à mulher, o contrário também existe, com a mulher exercendo esse papel de domínio, por mais que esse tipo de situação seja pouco falada e não tenha, tanto, o agravante da violência física.

Outro ponto importante de se perceber, ao estar dentro desse tipo de relação, é entender em que momento ela se encontra, para se pensar no que pode ser feito a partir dali. Nesse sentido, quando a relação apresenta as características mencionadas neste artigo, mas não se configura como violenta, em seu sentido mais extremo, das ameaças e violências físicas, pode-se apenas buscar sua ruptura, podendo se utilizar do suporte de uma psicoterapia para lidar com esse processo. Contudo, quando a coisa se torna violenta, em sua forma mais agressiva e extrema, a questão se torna de Justiça e se faz necessário o uso de outros meios e ferramentas, como a denúncia na delegacia de mulher, por exemplo.

Por fim, fica aqui essa reflexão das relações abusivas, como elas costumam funcionar e como tendem a evoluir. Para que assim, cada vez mais possamos nos perceber dentro de nossas relações, nos conscientizando e nos prevenindo de possíveis abusos e violências e buscando, portanto, relações mais saudáveis.

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