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Estudo analisa o efeito das mudanças climáticas na produção de água no Sistema Cantareira

21 de agosto de 2021

Foto: Ilustrativa

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Reduzir o impacto da crise climática no território conhecido como Contínuo Cantareira está entre os principais objetivos de um estudo liderado por pesquisadores do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Fundação Florestal do Governo do Estado de São Paulo.

O objetivo da pesquisa é avaliar como a produção de água na região do Sistema Cantareira tem sido afetada pelas mudanças climáticas. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), em média, desde a Revolução Industrial, a temperatura no planeta já subiu 1.1ºC, mas nos continentes esse aumento é maior. As consequências desse aquecimento vão desde mudanças do clima ao aumento de eventos extremos.

“Os resultados da pesquisa vão apoiar o planejamento de ações de adaptação às mudanças climáticas globais, com potencial de aumentar a resiliência do fornecimento de serviços ecossistêmicos, sobretudo água, na região do Sistema Cantareira”, explicou o pesquisador do IPÊ, Alexandre Uezu, que lidera a pesquisa.

Para isso, ainda segundo Alexandre Uezu, são necessárias ações locais capazes de tornar a região resiliente, mas também o comprometimento nacional. “A umidade que vem da Amazônia é essencial para abastecer o Centro-Oeste, o Sul e o Sudeste. Boa parte da chuva que chega ao Sistema Cantareira, por exemplo, vem da Floresta Amazônica, cessar o desmatamento é estratégico também para a segurança hídrica do Sudeste, a região mais populosa do país”.

Mais de 7,5 milhões de pessoas recebem água do Sistema Cantareira

O estudo utiliza novas tecnologias de amostragens, como estações de monitoramento online, para coletar informações e simular cenários futuros. Com base no MapBiomas, já foi identificado que o uso do solo foi extremamente alterado ao longo de 34 anos. De 1985 a 2019, a agricultura e pecuária tornaram-se dominantes e cresceram os plantios de eucalipto (em seis vezes) e as áreas urbanas (64% da área foi urbanizada suprimindo as florestas).

Para Uezu, todas essas mudanças no uso do solo são preocupantes, tendo em vista a produção de água de um dos maiores sistemas de abastecimento do mundo. “Nas esferas local e regional, precisamos de paisagens mais resilientes que garantam segurança hídrica, produtividade no meio rural e o funcionamento adequado dos ecossistemas. Com o estudo, vamos obter informações mais precisas sobre o potencial do manejo de pastagem ecológica, do sistema silvipastoril e dos sistemas agroflorestais, por exemplo, contribuírem nessa direção diante da emergência climática”.

A pesquisa tem como área de estudo as Unidades de Conservação (UCs) do Contínuo Cantareira: Área de Proteção Ambiental (APA) Bairro Represa da Usina, APA Sistema Cantareira, Floresta Estadual de Guarulhos, Monumento Natural Estadual da Pedra Grande, Parque Estadual Alberto Löfgren, Parque Estadual Cantareira, Parque Estadual Itaberaba e Parque Estadual Itapetinga. “Queremos identificar como essas UCs influenciam na disponibilidade de serviços ecossistêmicos, como a produção de água, inclusive em um período de emergência climática”, concluiu o pesquisador.

Também estão contempladas na pesquisa as frentes de sequestro e armazenamento de carbono, dispersão de sementes por aves e mamíferos, além do apoio aos pequenos e médios produtores da região na adaptação às mudanças devido à emergência climática.

O grupo de estudo reúne pesquisadores do Contínuo Cantareira e parceiros do Governing the Atlantic Forest Transition (Fapesp), o projeto de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D da CTG Brasil e IPÊ), projeto Água, Energia e Alimento (CNPq), Universidade Federal de São Carlos (Ufscar – Centro de Ciências da Natureza/CCN/Ufscar), Universidade Federal de Lavras (Departamento de Administração e Economia e de Ciência do Solo), RainForest Connection e Universidade Estadual Paulista – Unesp/Rio Claro.

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